quinta-feira, 22 de novembro de 2012



NÚCLEO DE TECNOLOGIA DO AMAPÁ-NTE
CURSO: TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO
TUTORA: SILVIA CASTRO
CURSÍSTA: HAISHA MARRY BRITO DA SILVA DOS SANTOS
UNIDADE III                           ATIVIDADE II



Pedro Demo é professor do departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB). PhD em Sociologia pela Universidade de Saarbrücken, Alemanha, e pós-doutor pela University of California at Los Angeles (UCLA), possui 76 livros publicados, envolvendo Sociologia e Educação.
A escola está distante dos desafios do século XX. O fato é que quando as crianças de hoje forem para o mercado, elas terão de usar computadores, e a escola não usa. Algumas crianças têm acesso à tecnologia e se desenvolvem de uma maneira diferente - gostam menos ainda da escola porque acham que aprendem melhor na internet. As novas alfabetizações estão entrando em cena, e o Brasil não está dando muita importância a isso – estamos encalhados no processo do ler, escrever e contar. Na escola, a criança escreve porque tem que copiar do quadro. Na internet, escreve porque quer interagir com o mundo. A linguagem do século XXI – tecnologia, internet – permite uma forma de aprendizado diferente. As próprias crianças trocam informações entre si, e a escola está longe disso. Não acho que devemos abraçar isso de qualquer maneira, é preciso ter espírito crítico - mas não tem como ficar distante. A tecnologia vai se implantar aqui “conosco ou sem nosco”.
Geralmente se diz linguagem de computador porque o computador, de certa maneira, é uma convergência. Quando se fala nova mídia, falamos tanto do computador como do celular. Então o que está em jogo é o texto impresso. Primeiro, nós não podemos jogar fora o texto impresso, mas talvez ele vá se tornar um texto menos importante do que os outros. Um bom exemplo de linguagem digital é um bom jogo eletrônico – alguns são considerados como ambientes de boa aprendizagem. O jogador tem que fazer o avatar dele – aquela figura que ele vai incorporar para jogar -, pode mudar regras de jogo, discute com os colegas sobre o que estão jogando. O jogo coloca desafios enormes, e a criança aprende a gostar de desafios. Também há o texto: o jogo vem com um manual de instruções e ela se obriga a ler. Não é que a criança não lê – ela não lê o que o adulto quer que ele leia na escola. Mas quando é do seu interesse, lê sem problema. Isso tem sido chamado de aprendizagem situada – um aprendizado de tal maneira que apareça sempre na vida da criança. Aquilo que ela aprende, quando está mexendo na internet, são coisas da vida. Quando ela vai para a escola não aparece nada. A linguagem que ela usa na escola, quando ela volta para casa ela não vê em lugar nenhum. E aí, onde é que está a escola? A escola parece um mundo estranho. As linguagens, hoje, se tornaram multimodais. Um texto que já tem várias coisas inclusas. Som, imagem, texto, animação, um texto deve ter tudo isso para ser atrativo. As crianças têm que aprender isso. Para você fazer um blog, você tem que ser autor – é uma tecnologia maravilhosa porque puxa a autoria. Você não pode fazer um blog pelo outro, o blog é seu você tem que redigir elaborar, se expor, discutir. É muito comum lá fora, como nos Estados Unidos, onde milhares de crianças de sete anos que já são autoras de ficção estilo Harry Potter no blog, e discutem animadamente com outros autores mirins. Quando vão para a escola, essas crianças se aborrecem, porque a escola é devagar.
Ressaltam, também, aspectos do trabalho com projetos que se coadunam aos preceitos do Construcionismo. O Ensino Fundamental no Brasil é organizado de acordo com diretrizes gerais, estabelecidas para orientar a formação básica comum a ser assegurada a toda a população do país.
Essas diretrizes traduzem-se, em nível estadual e municipal, em políticas de atendimento e de funcionamento do sistema escolar, conforme as possibilidades de cada realidade.
Levando em conta as diretrizes gerais estabelecidas, cabe às escolas adequar essas orientações a sua clientela, decidindo a forma de concretizá-las, delineando seu caminho para promover, de forma competente, o ensino fundamental. 
Assim, considerando contexto, limites, recursos e realidade própria, cada escola pública tem a possibilidade de definir e desenvolver seu projeto de escola. Ao ocupar seu espaço de autonomia para realizar o trabalho educativo, a escola faz mais do que adotar as diretrizes gerais formuladas para o sistema público como um todo. Com seu projeto, o caminho escolhido tem a sua marca, a escola assume feição própria, adquire "personalidade".
            A proposta deve ser concreta, operacional, flexível e fácil de ser utilizada, em um período razoável de tempo; o projeto curricular formulado deve ser concreto, garantindo continuidade através da estruturação ordenada e coerente de cada disciplina, respeitando as diferenças de cultura locais (ou regionais), bem como os diferentes níveis ou etapas da escolarização considerada obrigatória; o modelo proposto deve ser flexível em relação às exigências epistemológicas dos conteúdos abordados (língua materna e estrangeira, matemática, Ciências, Estudos Sociais, Artes, tecnologia, educação Física, etc.). Lembrando que epistemologia significa: "estudo crítico dos princípios, hipóteses e resultados das Ciências já construídas, e que visa determinar os fundamentos lógicos, o valor e o alcance objetivo delas. (...)"; e a proposta deve ser baseada no modelo aberto de currículo, de modo que tenha flexibilidade suficiente de adaptação em função do acelerado ritmo de transformação dos tempos atuais, bem como se adaptar às características gerais dos alunos em questão. 
Além dessas exigências básicas, três aspectos devem ser considera dos imprescindíveis: · Relacionar o currículo a um projeto social e cultural, dentro do contexto da sociedade atual (componente sociológico). Isto equivale dizer que o currículo não deve ser apenas de natureza puramente técnica;· Viabilizar a concepção construtivista: como se ensina e como se aprende; e· Insistir na atenção à diversidade de capacidades, interesses e motivação dos alunos - ênfase ao conceito de Inteligências Múltiplas, que está diretamente relacionado às propostas construtivistas.
 Assim, em relação às fontes do currículo, podemos observar três principais vertentes contrastantes, mas não excludentes: os"progressistas"; os"essencialistas";e os"sociólogos". Os progressistas "destacam a importância de estudar a criança a fim de descobrir seus interesses, seus problemas, seus propósitos e suas necessidades" -vertente psicopedagógica -, sendo estas informações de enorme importância para a determinação dos objetivos curriculares. "Os essencialistas, por seu lado, consideram que os objetivos devem ser extraídos de uma análise da estrutura interna dos conteúdos de ensino, das áreas de conhecimento."
Tal vertente é geralmente formada por especialistas adeptos à linha científico-cognitivista. A tendência sociológica, por fim, acredita que a fonte de informação principal para selecionar os objetivos curriculares encontra-se "na análise da sociedade, dos seus problemas, necessidades" imediatas e de suas características estruturais.

REFERÊNCIAS:
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