NÚCLEO DE TECNOLOGIA DO AMAPÁ-NTE
CURSO: TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO
TUTORA: SILVIA CASTRO
CURSÍSTA: HAISHA MARRY BRITO DA SILVA
DOS SANTOS
UNIDADE III ATIVIDADE II
Pedro
Demo é professor do departamento de Sociologia da Universidade de Brasília
(UnB). PhD em Sociologia pela Universidade de Saarbrücken, Alemanha, e
pós-doutor pela University of California at Los Angeles (UCLA), possui 76
livros publicados, envolvendo Sociologia e Educação.
A
escola está distante dos desafios do século XX. O fato é que quando as crianças
de hoje forem para o mercado, elas terão de usar computadores, e a escola não
usa. Algumas crianças têm acesso à tecnologia e se desenvolvem de uma maneira
diferente - gostam menos ainda da escola porque acham que aprendem melhor na
internet. As novas alfabetizações estão entrando em cena, e o Brasil não está
dando muita importância a isso – estamos encalhados no processo do ler,
escrever e contar. Na escola, a criança escreve porque tem que copiar do
quadro. Na internet, escreve porque quer interagir com o mundo. A linguagem do
século XXI – tecnologia, internet – permite uma forma de aprendizado diferente.
As próprias crianças trocam informações entre si, e a escola está longe disso.
Não acho que devemos abraçar isso de qualquer maneira, é preciso ter espírito
crítico - mas não tem como ficar distante. A tecnologia vai se implantar aqui
“conosco ou sem nosco”.
Geralmente
se diz linguagem de computador porque o computador, de certa maneira, é uma
convergência. Quando se fala nova mídia, falamos tanto do computador como do
celular. Então o que está em jogo é o texto impresso. Primeiro, nós não podemos
jogar fora o texto impresso, mas talvez ele vá se tornar um texto menos
importante do que os outros. Um bom exemplo de linguagem digital é um bom jogo
eletrônico – alguns são considerados como ambientes de boa aprendizagem. O
jogador tem que fazer o avatar dele – aquela figura que ele vai incorporar para
jogar -, pode mudar regras de jogo, discute com os colegas sobre o que estão
jogando. O jogo coloca desafios enormes, e a criança aprende a gostar de
desafios. Também há o texto: o jogo vem com um manual de instruções e ela se
obriga a ler. Não é que a criança não lê – ela não lê o que o adulto quer que
ele leia na escola. Mas quando é do seu interesse, lê sem problema. Isso tem
sido chamado de aprendizagem situada – um aprendizado de tal maneira que
apareça sempre na vida da criança. Aquilo que ela aprende, quando está mexendo
na internet, são coisas da vida. Quando ela vai para a escola não aparece nada.
A linguagem que ela usa na escola, quando ela volta para casa ela não vê em
lugar nenhum. E aí, onde é que está a escola? A escola parece um mundo
estranho. As linguagens, hoje, se tornaram multimodais. Um texto que já tem
várias coisas inclusas. Som, imagem, texto, animação, um texto deve ter tudo
isso para ser atrativo. As crianças têm que aprender isso. Para você fazer um
blog, você tem que ser autor – é uma tecnologia maravilhosa porque puxa a
autoria. Você não pode fazer um blog pelo outro, o blog é seu você tem que redigir
elaborar, se expor, discutir. É muito comum lá fora, como nos Estados Unidos,
onde milhares de crianças de sete anos que já são autoras de ficção estilo
Harry Potter no blog, e discutem animadamente com outros autores mirins. Quando
vão para a escola, essas crianças se aborrecem, porque a escola é devagar.
Ressaltam,
também, aspectos do trabalho com projetos que se coadunam aos preceitos do
Construcionismo. O Ensino Fundamental no Brasil é organizado de acordo com
diretrizes gerais, estabelecidas para orientar a formação básica comum a ser
assegurada a toda a população do país.
Essas
diretrizes traduzem-se, em nível estadual e municipal, em políticas de
atendimento e de funcionamento do sistema escolar, conforme as possibilidades
de cada realidade.
Levando
em conta as diretrizes gerais estabelecidas, cabe às escolas adequar essas
orientações a sua clientela, decidindo a forma de concretizá-las, delineando
seu caminho para promover, de forma competente, o ensino fundamental.
Assim,
considerando contexto, limites, recursos e realidade própria, cada escola
pública tem a possibilidade de definir e desenvolver seu projeto de escola. Ao
ocupar seu espaço de autonomia para realizar o trabalho educativo, a escola faz
mais do que adotar as diretrizes gerais formuladas para o sistema público como
um todo. Com seu projeto, o caminho escolhido tem a sua marca, a escola assume
feição própria, adquire "personalidade".
A proposta deve ser concreta, operacional, flexível e
fácil de ser utilizada, em um período razoável de tempo; o projeto
curricular formulado deve ser concreto, garantindo continuidade através da
estruturação ordenada e coerente de cada disciplina, respeitando as
diferenças de cultura locais (ou regionais), bem como os diferentes níveis ou etapas
da escolarização considerada obrigatória; o modelo proposto deve ser flexível
em relação às exigências epistemológicas dos conteúdos abordados (língua
materna e estrangeira, matemática, Ciências, Estudos Sociais, Artes,
tecnologia, educação Física, etc.). Lembrando que epistemologia significa:
"estudo crítico dos princípios, hipóteses
e resultados das Ciências já construídas, e que visa determinar os fundamentos
lógicos, o valor e o alcance objetivo delas. (...)"; e a proposta deve ser
baseada no modelo aberto de currículo, de modo que tenha flexibilidade
suficiente de adaptação em função do acelerado ritmo de transformação dos
tempos atuais, bem como se adaptar às características gerais dos alunos em
questão.
Além dessas exigências básicas, três aspectos devem
ser considera dos imprescindíveis: · Relacionar o currículo a um projeto
social e cultural, dentro do contexto da sociedade atual (componente
sociológico). Isto equivale dizer que o currículo não deve ser apenas de
natureza puramente técnica;· Viabilizar a concepção construtivista: como se
ensina e como se aprende; e· Insistir na atenção à diversidade de capacidades,
interesses e motivação dos alunos - ênfase ao conceito de Inteligências
Múltiplas, que está diretamente relacionado às propostas construtivistas.
Assim,
em relação às fontes do currículo, podemos observar três principais vertentes
contrastantes, mas não excludentes: os"progressistas"; os"essencialistas";e os"sociólogos". Os
progressistas "destacam a importância de estudar a criança a fim de descobrir
seus interesses, seus problemas, seus propósitos e suas necessidades" -vertente
psicopedagógica -, sendo estas informações de enorme importância para a determinação
dos objetivos curriculares. "Os essencialistas, por seu lado, consideram
que os objetivos devem ser extraídos de uma análise da estrutura interna dos
conteúdos de ensino, das áreas de conhecimento."
Tal vertente é geralmente formada por especialistas
adeptos à linha científico-cognitivista. A tendência sociológica, por fim,
acredita que a fonte de informação principal para selecionar os objetivos
curriculares encontra-se "na análise da sociedade, dos seus problemas,
necessidades" imediatas e de suas características estruturais.
REFERÊNCIAS:
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